quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Jornalista Viajante


Um viajante é alguém que visita vários locais, seja por prazer ou trabalho. Verifica-se que cada um tem uma aptidão natural para receber novas experiências, como costumes, hábitos, ensinamentos e relações. Mas o que é verdadeiramente um viajante? Todos os dias vou para a universidade de autocarro, que é a chamada migração interna. É também uma viagem, pois todos os dias acontecem coisas novas. O percurso pode ser o mesmo, mas pelo caminho há um mar de eventos que nos chamam a atenção. Aprendemos também novas coisas, como um à partida insignificante cumprimento ao motorista. Ser viajante é também ser cidadão, e já o fazemos desde pequenos. Aquelas visitas, em que íamos com os familiares, por exemplo ao Castelo de Guimarães, Torre dos Clérigos, Palácio da Bolsa ou o Mosteiro dos Jerónimos, já fazem parte do nosso reportório de viajante, mesmo sem saber. Aquelas composições que fazíamos nas aulas após uma visita de estudo do quarto ano, também são relatos de viagens. No entanto, existe outra questão que me confunde: não será também um viajante um jornalista? Tomando o exemplo da composição, nós descrevíamos o que visitávamos, isto é, um relato de factos. Ainda, dizíamos se gostávamos da experiência, ou seja, considerações, que a meu ver já é uma crónica. No quarto ano já fazíamos relato de factos e opinávamos, embora muito inocentemente. Não caiamos na tentação de dizer que qualquer um pode ser jornalista, como no Brasil. Digamos antes que um profissional da comunicação não o pode deixar de ser por que abandona a redacção para voltar a casa. São ossos do ofício, a exigência de máxima atenção, como popularmente se diz, “sempre com as antenas no ar”, pois como um jornalista cedo aprende, tudo pode ser notícia. Uma viagem é um frenesim de possíveis acontecimentos, no qual enriquecemos sempre a nossa cultura profissional. A jornalista Vanessa Rodrigues afirmou mesmo que ao viajar sentia-se realizada, que recolhia as melhores experiências tanto da vida profissional como pessoal. E um repórter é obrigado a ir ao campo para recolher o máximo de informação. Podemos considerar que o mergulho numa história jornalística é uma viagem. Mais metafórica, mas igualmente pessoal. Sem esta predisposição, o trabalho seria meramente superficial, que é algo que o jornalismo não enfatiza.   
Concluindo, a viagem é indispensável para todas as áreas do jornalismo. É quem liga o campo à redacção. É quem liga conhecimento a conhecedor. É o que aproxima ambos extremos, tornando intimo um simples trajecto de ida e volta. Na maioria das vezes, é condicionante de um dia de trabalho, em que faz o casamento perfeito entre o jornalista e a história. 

0 comentários:

Enviar um comentário