Um viajante é alguém que visita vários locais, seja por
prazer ou trabalho. Verifica-se que cada um tem uma aptidão natural para
receber novas experiências, como costumes, hábitos, ensinamentos e relações.
Mas o que é verdadeiramente um viajante? Todos os dias vou para a universidade
de autocarro, que é a chamada migração interna. É também uma viagem, pois todos
os dias acontecem coisas novas. O percurso pode ser o mesmo, mas pelo caminho
há um mar de eventos que nos chamam a atenção. Aprendemos também novas coisas, como
um à partida insignificante cumprimento ao motorista. Ser viajante é também ser
cidadão, e já o fazemos desde pequenos. Aquelas visitas, em que íamos com os
familiares, por exemplo ao Castelo de Guimarães, Torre dos Clérigos, Palácio da
Bolsa ou o Mosteiro dos Jerónimos, já fazem parte do nosso reportório de
viajante, mesmo sem saber. Aquelas composições que fazíamos nas aulas após uma
visita de estudo do quarto ano, também são relatos de viagens. No entanto,
existe outra questão que me confunde: não será também um viajante um
jornalista? Tomando o exemplo da composição, nós descrevíamos o que
visitávamos, isto é, um relato de factos. Ainda, dizíamos se gostávamos da
experiência, ou seja, considerações, que a meu ver já é uma crónica. No quarto
ano já fazíamos relato de factos e opinávamos, embora muito inocentemente. Não
caiamos na tentação de dizer que qualquer um pode ser jornalista, como no Brasil.
Digamos antes que um profissional da comunicação não o pode deixar de ser por
que abandona a redacção para voltar a casa. São ossos do ofício, a exigência de
máxima atenção, como popularmente se diz, “sempre com as antenas no ar”, pois
como um jornalista cedo aprende, tudo pode ser notícia. Uma viagem é um
frenesim de possíveis acontecimentos, no qual enriquecemos sempre a nossa
cultura profissional. A jornalista Vanessa Rodrigues afirmou mesmo que ao
viajar sentia-se realizada, que recolhia as melhores experiências tanto da vida
profissional como pessoal. E um repórter é obrigado a ir ao campo para recolher
o máximo de informação. Podemos considerar que o mergulho numa história
jornalística é uma viagem. Mais metafórica, mas igualmente pessoal. Sem esta
predisposição, o trabalho seria meramente superficial, que é algo que o
jornalismo não enfatiza.
Concluindo, a viagem é indispensável para todas as áreas do
jornalismo. É quem liga o campo à redacção. É quem liga conhecimento a
conhecedor. É o que aproxima ambos extremos, tornando intimo um simples
trajecto de ida e volta. Na maioria das vezes, é condicionante de um dia de
trabalho, em que faz o casamento perfeito entre o jornalista e a história.






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