Reportagem

Barcelos: 7ª Arte promove turismo

Festival Artístico

Galo que é Óscar

Turismo

O melhor que Portugal tem para oferecer

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O evento em imagens

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ermesinde-Porto São Bento, a viagem

A chegada será sempre o Porto. Dizem que o meio influencia a mensagem. Neste caso, o meio é o comboio e a mensagem parte da imaginação. A minha é criada através da observação com pormenor. Caminho por um espaço quase ofegante quando está presente a multidão matinal. Todos os dias eu vou. É quase uma rotina, um hábito intrínseco. Entro, ao meu redor ou estão as mesmas pessoas – o mundo pequeno em que vivemos – ou alguém diferente, que captará a minha atenção. Há sempre um leitor mergulhado num livro, um leitor fingido vaidoso pelo seu livro e um não leitor. Também há a mãe que leva o menino à escola, a mãe que vai trabalhar e a mãe que liga à filha adolescente para lhe relembrar tantas coisas. Nos dias mais frios, entram raças diferentes. Etnias com cheiros característicos, cheiros quentes, cheiros que incomodam. Despertam no leitor, no vaidoso, no não-leitor e na mãe, um repúdio constante. Porém este é o meio mais acolhedor para fazer a viagem. Não só o mais acolhedor mas o menos penalizador no que toca a custos. O “pica”, esse, começa a sua jornada do lado contrário do maquinista. Valida até chegar à primeira porta, a do que nos conduz. Por isso, o idioma desigual e os trajes pouco comuns situam-se no início do comboio até terem que abandonar, a correr.
Alguns namorados, poucos casais e solteiros. Os últimos, entram com alguma esperança. A esperança que o meio lhes traga a felicidade. Fitam-se olhares sedutores entre eles. Mesmo o casado olha a solteira com um pouco de inveja. Entram na próxima paragem os “capitães da areia”. [1]Ansiosos, já pela manhã procuram o conflito, contudo a ressaca leva-os a um estado de sono que piora quando o comboio atravessa por entre os montes. É raro a esta hora conseguirem o que almejam, quando isso acontece todos os passageiros ficam nervosos e não interferem, nem com um olhar soslaio.
Estão quase a bater as nove horas, é o fim da viagem. Aí, há uma pausa. Por entre túneis e rasgos de luz conseguimos ver uma cidade. Reflexos vindos do rio, pontes como que pousadas, um cenário pintado de nostalgia. As casinhas completam as linhas criadas pelos montes, os monumentos acrescentam a cultura. O metro passa na perpendicular, as gaivotas cruzam o céu em diagonal, o frio portuense sopra por debaixo das portas.
Apaga-se esse instante. A próxima saída é a vida comum. Acabou a viagem.




Ouvem-se gargalhadas alegres, são os “conhecidos”, aqueles que se encontram todos os dias à mesma hora e falam da atualidade com um certo humor. Por vezes, os “futebolísticos” ficam incomodados, mas insistem em comentar o que viram no jogo de ontem à noite.
Os amantes da música são os únicos que não se deixam levar por estes discursos, apenas decoram letras e cantarolam-nas na mente.
Todos olhamos, como não podemos cheirar, os vidros ressoam, com toda a nossa respiração para lá do comboio. 


[1] “Capitães da Areia” é um livro de Jorge Amado. Os “Capitães da Areia” eram crianças da Bahia que viviam do furto.

Jornalista Viajante


Um viajante é alguém que visita vários locais, seja por prazer ou trabalho. Verifica-se que cada um tem uma aptidão natural para receber novas experiências, como costumes, hábitos, ensinamentos e relações. Mas o que é verdadeiramente um viajante? Todos os dias vou para a universidade de autocarro, que é a chamada migração interna. É também uma viagem, pois todos os dias acontecem coisas novas. O percurso pode ser o mesmo, mas pelo caminho há um mar de eventos que nos chamam a atenção. Aprendemos também novas coisas, como um à partida insignificante cumprimento ao motorista. Ser viajante é também ser cidadão, e já o fazemos desde pequenos. Aquelas visitas, em que íamos com os familiares, por exemplo ao Castelo de Guimarães, Torre dos Clérigos, Palácio da Bolsa ou o Mosteiro dos Jerónimos, já fazem parte do nosso reportório de viajante, mesmo sem saber. Aquelas composições que fazíamos nas aulas após uma visita de estudo do quarto ano, também são relatos de viagens. No entanto, existe outra questão que me confunde: não será também um viajante um jornalista? Tomando o exemplo da composição, nós descrevíamos o que visitávamos, isto é, um relato de factos. Ainda, dizíamos se gostávamos da experiência, ou seja, considerações, que a meu ver já é uma crónica. No quarto ano já fazíamos relato de factos e opinávamos, embora muito inocentemente. Não caiamos na tentação de dizer que qualquer um pode ser jornalista, como no Brasil. Digamos antes que um profissional da comunicação não o pode deixar de ser por que abandona a redacção para voltar a casa. São ossos do ofício, a exigência de máxima atenção, como popularmente se diz, “sempre com as antenas no ar”, pois como um jornalista cedo aprende, tudo pode ser notícia. Uma viagem é um frenesim de possíveis acontecimentos, no qual enriquecemos sempre a nossa cultura profissional. A jornalista Vanessa Rodrigues afirmou mesmo que ao viajar sentia-se realizada, que recolhia as melhores experiências tanto da vida profissional como pessoal. E um repórter é obrigado a ir ao campo para recolher o máximo de informação. Podemos considerar que o mergulho numa história jornalística é uma viagem. Mais metafórica, mas igualmente pessoal. Sem esta predisposição, o trabalho seria meramente superficial, que é algo que o jornalismo não enfatiza.   
Concluindo, a viagem é indispensável para todas as áreas do jornalismo. É quem liga o campo à redacção. É quem liga conhecimento a conhecedor. É o que aproxima ambos extremos, tornando intimo um simples trajecto de ida e volta. Na maioria das vezes, é condicionante de um dia de trabalho, em que faz o casamento perfeito entre o jornalista e a história. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Fotogaleria

Igreja Matriz de Barcelos


Galos festival Art & Tur - Manuel Gonçalves Macedo 

Entrevista com Isabel Marques (Organização)


Galo Festival Art & Tur - Rosália Abreu


Peças Artesanato Festival Art & Tur 

Cartaz de entrada Art & Tur

Galos feitos por vários artesãos

Vereador César Marques

1º Prémio festival Art & Tur - Júlio Ramalho



João Lourenço e Joaquim Esteves 

João Lourenço a trabalhar uma peça


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Turismo é excelência nacional

O turismo em Portugal é uma das referências que demarca o país no mundo. De acordo com Alberto Castro, cronista do Jornal de Notícias, Portugal é um dos melhores países para se passar férias ou mesmo para usufruir da oferta cultural. Para a Organização Mundial de Turismo, o país encontra-se actualmente na posição 19 dos 50 países mais visitados no mundo.

A empresa Turismo de Portugal apresenta os locais mais visitados no país e quais os motivos. A cidade de Lisboa encontra-se em primeiro lugar por ser a capital e por ter um património rico em monumentos. Está actualmente no ranking 8 de 9 das cidades mais procuradas para congressos, lugar atribuído pela International Congress & Convention Association. O The Art Newspaper atribuiu em 2009 o lugar 75 ao Museu Colecção Berardo, em Lisboa, na lista dos 100 museus a visitar no Mundo.
O Algarve destaca-se pelas praias, e as ilhas da Madeira e Açores pelas estâncias turísticas dedicadas ao lazer.


Museu Colecção Berardo


O Porto pelo vinho, pela história pelos monumentos. Para o site TripAdvisor, a cidade do Porto é uma das 10 melhores cidades a nível mundial para beber vinho. A organização Europeia European Consumers Choice atribuiu à cidade o primeiro lugar das 10 cidades europeias a visitar em 2012.
O estudo da GFK Metris deste ano revela que a maioria dos turistas estrangeiros provém de Espanha, Reino Unido, Alemanha e França. O mesmo estudo revelou que os motivos pelos quais gostaram da visita são o clima, a gastronomia e os espectáculos culturais. Os destinos dos turistas portugueses em Portugal são Lisboa, Algarve e Porto divulgou a empresa Pro Turismo, salientando ainda que o principal motivo é o lazer.
Região Demarcada do Douro

O site PORDATA apresenta dados que revelam que, por cada ano que passa, o número de visitantes no país aumenta. Pelos dados apresentados, verifica-se que a cultura e o lazer são os principais motivos pelos quais os turistas vêm a Portugal. Os museus, monumentos, festivais e teatro são os principais atractivos. Contudo, a crise obriga a ajustes de orçamento em vários sectores, como a cultura. O mesmo site refere que as Câmaras Municipais têm cortado na despesa nos últimos quatro anos. Deste modo, o número de sessões de espectáculos como a dança, o teatro, o número de galerias e os lucros diminuem. Um exemplo é o número de visitantes de galerias e museus em Barcelos que aumentou nos últimos dois anos. Porém, o número de exposições tem diminuído.


Os turistas tem uma boa consideração por Portugal, gostaram da experiência e pensam em voltar.


Galo é “óscar” em Festival

O Galo de Barcelos constitui-se como um dos símbolos de Portugal. As figuras de barro continuam a ser a expressão artística mais forte desta região do Minho. É um ícone de identidade de uma nação e um excelente registo de marketing. A imagem deste surge empenhada na sua universalização, enquanto destino turístico.

Um exemplo disso é a constante presença em eventos promocionais. Aparece como imagem principal dos cartazes turísticos que promovem o Portugal do folclore, das tradições, das paisagens e da hospitalidade do povo. A própria câmara de Barcelos promove a Semana Gastronómica do Galo com o melhor da gastronomia minhota em 34 restaurantes do concelho. Esta iniciativa está inserida no roteiro gastronómico da entidade Turismo Porto e Norte de Portugal. O concurso do “Galo Assado” também é impulsionado pela câmara e apela ao sentido gustativo dos turistas.

Os galos de Barcelos, feitos por artesãos locais,  são os 'Óscares' do Festival Internacional de Filmes de Turismo.

O Festival ART & TUR – Festival Internacional de Filmes de Turismo é um evento com reconhecimento internacional. Organizado e promovido pela APTUR – Associação Portuguesa de Turismologia, conta com o patrocínio da Câmara de Barcelos.
Contém um meio promocional de excelência para todas as produções audiovisuais relacionadas com o turismo.

Festival de “braço dado” com Artesanato


O Festival Art & Tur foi organizado de modo a que, entre a galeria dos prémios e o auditório, se assista aos artesãos a criarem diversas peças em barro típicas de Barcelos.
O artesanato encontra-se intimamente ligado ao festival não só por ser uma parte da cultura popular, mas também pelos prémios serem feitos por artesãos locais. Algumas das peças podem ser adquiridas ao longo deste corredor.
A cidade de Barcelos apoia o artesanato local com a Mostra de Artesanato, a Rota da Olaria e a Feira semanal às quintas-feiras.

João Lourenço: 30 anos de Olaria

João Lourenço




João Lourenço é um dos artesãos presentes no festival. A sua arte pode ser vista no decorrer do evento. Com 45 anos de idade, conta com 30 anos de experiência como Oleiro.

1- Há quantos anos se interessa por esta profissão?
Interesso-me por esta profissão desde miúdo já que vim de uma família oleiros. Há trinta anos atrás, o caminho era um bocado seguir a profissão dos nossos pais e portanto foi isso que me aconteceu. Na altura, saí da escola, poderia ter seguido outro percurso mas comecei a trabalhar. Tenho 45 anos e há trinta e tal anos que ando nisto.

2- Relativamente à participação neste festival, acha que é uma boa forma de reavivar as memórias das pessoas quanto à profissão?

Penso que sim. Este é o primeiro ano que o festival incorpora estas actividades artesanais, é uma forma de mostrar um pouco a temática do mesmo pois insere-se no turismo. A olaria de Barcelos tem muita tradição e a maior parte do tempo em que estive na roda tive a oportunidade de observar que as pessoas desconheciam e nunca tinham visto as peças a serem trabalhadas. Como tal, acho que é bem pensado inserir esta actividade no festival.

3- Relativamente ao festival, acha que os filmes portugueses têm uma boa hipótese de chegarem à final e irem a Viena?

Interesso-me e gosto bastante de cinema mas não sou especialista. Porém posso dizer que vi agora o de Montalegre e está um filme muito bom. Em termos de competividade não sei sinceramente. 

Barcelos: 7ª Arte promove turismo

A proximidade de Barcelos ao rio Cávado ditou a história desta cidade que já na época romana era ponto de cruzamento de viajantes, revelando assim a sua aptidão turística.

Alguns vestígios mostram que o surgimento desta cidade se relaciona com as vilas agrárias e que, como consequência, no século XIII deram origem a uma feira que torna Barcelos palco de atracções e, ao mesmo tempo um ponto estratégico de ligação com diversas cidades como o Porto, Braga e Viana do Castelo.
Para satisfazer os visitantes das diversas regiões do país, bem como os turistas estrangeiros que por lá passem, Barcelos tem para oferecer um vasto património que é essencialmente uma herança cultural. A Rota dos Santuários e das Igrejas, realizada este ano pela primeira vez nos meses de Junho e Outubro, é um exemplo disso mesmo, visto que os viajantes podem usufruir da riqueza do património religioso do concelho de Barcelos – igrejas e espaços de devoção mariana.

O galo, ícone da cidade de Barcelos é um dos grandes promotores do turismo nesta região. A lenda do Galo de Barcelos descreve a intervenção milagrosa de um galo morto na prova de inocência de um homem erradamente acusado. Anos mais tarde, esse mesmo homem voltou a Barcelos para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a São Tiago, monumento que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos. Este galo é também representado pelo artesanato minhoto e, geralmente é feito de barro.
Galo à entrada do recinto


Também o Festival ART & TUR é uma forma de promover a região, pois tal como afirma Melchior Moreira, presidente da Região de Turismo do Porto e Norte de Portugal, “este é um evento prestigiante” e “uma ampla e revigorante janela aberta para o mundo e que pode potenciar a divulgação de Barcelos e da região”.

Isabel Marques, coordenadora da licenciatura de Turismo na ULP (Universidade Lusófona do Porto) e membro da comissão organizadora do Festival ART & TUR acredita que este festival é um óptimo promotor da região e de Portugal enquanto destinos turísticos, pois “ao apresentar filmes que promovem diversos destinos portugueses e tendo como prémios o Galo típico da cidade, é uma forma de chamar visitantes, não só para a cidade como para Portugal”.

O ART & TURFestival Internacional de Filmes de Turismo é um acontecimento inovador e com elevado reconhecimento internacional. É organizado pela Associação Portuguesa de Turismologia (APTUR) e tem o patrocínio da Câmara Municipal de Barcelos. Este evento é membro do CIFFT – Comité Internacional dos Festivais de Filmes de Turismo e integra uma parte da rede mundial de 15 festivais internacionais, que organiza anualmente, em Viena, o “Festival dos Festivais”.

Este ano realizou-se a 5ª edição do festival que decorreu de 24 a 27 de Outubro e que marcou a diferença por ser o 1º Festival Internacional do Mundo a incluir a categoria 3D. No dia 25 de Outubro o grande tema foi a promoção de destinos turísticos e, como tal, foram apresentados diversos filmes que impulsionavam o turismo em vários países. No caso português, alguns dos filmes divulgados centravam-se essencialmente em certas regiões, como o Porto, Montalegre, Carcavelos e ainda a ilha da Madeira.


Vereador César Marques


“Barcelos é o concelho onde se ostenta e predomina um ícone, o Galo de Barcelos e, por isso, nada melhor para promover o território de Barcelos do que criarmos uma determinada discussão acerca do audiovisual e este debate, como é óbvio, vai projectar Barcelos”, afirmou César Marques, vereador da autarquia.

De acordo com o vereador, “a presidência da República pela primeira vez juntou-se ao festival com o seu alto patrocínio, o que significa um grande reconhecimento da importância do festival para o país”.

Este reconhecimento dado pelo Estado ao festival e à própria região faz com que um conjunto de cidades se interligue de uma forma muito mais próxima, como é o caso do Porto e de Barcelos que estão ligadas em vários sentidos. A principal ligação é feita através das facilidades de acesso que são uma grande vantagem para a união turística destas duas cidades, uma vez que a rede de combóios ajuda na proximidade de ambas.

O município de Barcelos é caracterizado por três bacias hidrográficas; a do rio Cávado, rio Neiva e rio Este. Demograficamente conta com 120 391 habitantes. Administrativamente o município fica no distrito de Braga e é um dos 23 municípios portugueses com mais de 100 mil residentes.